sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O poder de pensar diferente - A mágica de Steve Jobs foi transformar egomania, obsessão e inquietude em trunfos no mundo dos negócios

O primeiro Macintosh: o marco zero da revolução da computação pessoal

Das muitas histórias conhecidas sobre Steve Jobs, sem contar as que virão à tona na publicação de sua biografia autorizada, uma das mais emblemáticas aconteceu no ano de 1981, quando a Apple era uma startup.

A equipe de engenheiros trabalhava na concepção do Macintosh, o computador que seria lançado três anos depois e mudaria para sempre o mundo da tecnologia. Numa reunião em que foi apresentado o cérebro do Mac, a placa-mãe onde são espetados os componentes que fazem a máquina funcionar, Jobs fez a seguinte crítica ao trabalho dos engenheiros:

“Essa parte é realmente bonita. Mas olhe os chips de memória. Isso é feio. As linhas estão muito perto umas das outras”.

Os responsáveis pelo design ficaram atônitos. Um novato, George Crow, interrompeu Jobs:

“Mas quem se preocupa com a aparência de uma placa-mãe? O importante é que ela funcione. Ninguém vai ver”.

“Eu vou ver”, respondeu Jobs. “Quero que ela seja o mais bela possível, mesmo que esteja dentro de uma caixa. Um grande carpinteiro não vai usar madeira vagabunda na parte de trás de um armário, mesmo que ninguém vá vê-la.”

Fim de conversa. Os engenheiros voltaram ao trabalho para tentar resolver o problema de acordo com as diretrizes do chefe.

Essa discussão mostra por que Steve Jobs se tornou uma figura inspiradora para seus fãs — os consumidores da Apple — e para aqueles que admiram suas conquistas como empreendedor e executivo.

Nos 30 anos que separam esse curto diálogo da morte de Jobs, no dia 5 de outubro, ele caiu, levantou-se, transformou indústrias e levou a Apple à condição de empresa mais valiosa do mundo.

Mas os traços que transparecem na conversa sobre a placa-mãe do Macintosh original estariam presentes em todos os momentos de sua incrível trajetória: o perfeccionismo, a obsessão pela estética e seu famoso campo de distorção da realidade: na presença de Jobs, seus subordinados eram frequentemente levados a fazer algo que parecia não ter sentido nenhum. (Muitas vezes não tinha mesmo. O desenho que ele exigiu para a placa não funcionava, e a proposta original é que acabou valendo.)

Esse episódio também ilustra um lado de Steve Jobs que parece esquecido em meio à consternação com sua morte: ele fazia exatamente o contrário do que se espera de um bom executivo. Contrariava toda e qualquer regra dos manuais de gestão. Ignorava os movimentos dos concorrentes.

Não se importava com o mercado de ações. Apesar da admiração que ele sempre despertou no mundo dos negócios — e que só deve aumentar, pois Jobs se tornou de fato um mito —, apesar da inspiração representada por sua volta redentora à Apple, apesar dos manuais de autoajuda baseados em sua vida, fica claro ao conhecer a trajetória de Jobs que “pensar diferente” é um luxo reservado para poucos.

Em primeiro lugar, claro, é preciso fazer por merecer o direito de ser diferente. Sua obstinação era lendária. Quando era adolescente, ainda no ensino médio, Jobs ligou para a casa de Bill Hewlett, um dos cofundadores da Hewlett-Packard.

“Naquela época ainda não existiam números fora da lista telefônica”, disse ele sobre o episódio em sua última aparição pública, diante do conselho municipal de Cupertino, onde fica a sede da Apple.

“Ele atendeu o telefone, e eu pedi peças para montar um contador de frequência. Ele me deu as peças, mas algo ainda mais importante: um estágio na divisão que fazia os contadores de frequência.”

Foi essa mesma determinação que levou Jobs a criar a Apple, anos depois, com a intenção de colocar os computadores das grandes empresas e das universidades também na casa das pessoas comuns. Os PCs, como ele definiu em uma de suas frases mais famosas, eram “bicicletas para a mente” e mudariam o mundo.

Mas eles não existiam como os conhecemos hoje, e isso foi fundamental para que Jobs pudesse imprimir sua visão — e suas idiossincrasias — nos produtos e em sua empresa. Como trabalhava na própria companhia, apostando num mercado que nem sequer existia, ele pôde desde o primeiro momento exercer outro traço pelo qual é conhecido: a tirania.

“Ele daria um ótimo rei da França”, disse um funcionário da empresa, segundo a reportagem de capa da revista Time de 1982 que elegeu o computador o “homem do ano” e incluiu um perfil não exatamente lisonjeiro de Jobs.

Esse episódio é apontado como um dos motivos pelos quais a Apple tenha operado no mais absoluto segredo desde os primeiros tempos. Se Jobs se comportava como um déspota, ninguém saberia. Desde meados dos anos 80, suas entrevistas se tornaram eventos raríssimos.

Ele mantinha contato com um punhado de jornalistas de grandes publicações, mas sempre off the record. As raras declarações que podiam ser reproduzidas costumavam acontecer depois de algum lançamento de produto — e, em geral, resumiam-se a elogios. Ninguém além dele próprio podia se manifestar em nome da companhia.

Mas isso não impediu que escapassem relatos do comportamento de Jobs no emprego, muito pelo contrário. Uma das melhores coleções está na internet e foi compilada por Andy Hertzfeld, um dos integrantes da equipe original do Macintosh e hoje funcionário do Google.

Eis um exemplo do que Hertzfeld ouviu de um chefe, ainda nos anos 80: “Ele (Jobs) é engraçado com relação a ideias. Se você apresentar uma ideia nova, em geral ele vai dizer que ela é uma estupidez. Mas, se gostar dela, exatamente uma semana depois ele vai voltar e apresentá-la para você como se ela tivesse saído da cabeça dele”.

Apesar das histórias de crueldade com os subordinados, poucos são os que deixam a Apple. Desses, um grupo ainda menor critica a companhia.

“Trabalhar com Jobs era um grande privilégio”, diz Gene Munster, do banco Piper Jaffray, um dos mais respeitados analistas de tecnologia do mercado americano. “Quem passou pela experiência, por mais difícil que ela tenha sido, sabe que fez parte de algo especial.”

O poder de persuasão de Jobs também era incomparável. Mas isso decorria mais de sua visão do que de seu charme e carisma, por mais famosos que eles fossem. Em 2001, quando o primeiro iPod foi lançado, o gênio do MP3 já tinha saído da garrafa, e as gravadoras vislumbravam um futuro sombrio.

Mas, naquela época, MP3 era sinônimo de música no computador. Os poucos players que existiam eram de má qualidade e tinham pouco espaço de armazenamento.

Muito antes que seus concorrentes enxergassem o tamanho da ruptura que se desenhava, a Apple lançou o iPod, que tinha um sistema de controle simplificado e guardava 1 000 arquivos, ao contrário das centenas de concorrentes.

“Até agora, ninguém encontrou a receita para a música digital”, disse Jobs no evento em que mostrou o iPod pela primeira vez. “Acho que nós a encontramos.” E como. Foi graças ao sucesso do iPod que Jobs conseguiu dobrar as gravadoras a vender arquivos por intermédio da Apple pelo preço de 99 centavos de dólar.

A loja iTunes, lançada em 2003, hoje conta com mais de 200 milhões de faixas e é, de longe, a maior vendedora de músicas do mundo. Foi apenas em 2007 que a empresa tirou a palavra “computer” do nome — mas a visão já estava na cabeça de Jobs havia vários anos, e foi graças a ela que as gravadoras puderam ter algum sucesso na revolução digital.

Um ego maior que a própria vida também foi um ingrediente fundamental na trajetória de Jobs. “Muitas vezes as pessoas não sabem o que querem até que mostremos a elas”, disse ele em certa ocasião.

Diante do sucesso estrondoso que a Apple alcançou, especialmente na última década, é difícil discordar. Mas talvez a idade, ou a percepção de que os sistemas fechados têm pouca chance nos tempos da internet, tenha atenuado em Jobs e na Apple o ímpeto de fazer tudo por conta própria.

O primeiro iPod funcionava apenas no Mac; foi com o lançamento da versão compatível com o Windows que o produto decolou. Com o iPhone, houve um fenômeno semelhante.

O aparelho foi unanimidade desde o instante em que apareceu pela primeira vez, mas o sucesso se consolidou quando a Apple decidiu permitir que desenvolvedores de software criassem programas para ele que a plataforma se tornou o grande ativo da Apple nessa nova era da computação pessoal.

Qualquer uma dessas características, sozinha, já tornaria difícil a vida de qualquer um numa empresa. Todas elas juntas, então, nem se fala. É por isso que Jobs só podia ser Jobs nas empresas que ele criou e moldou à sua imagem.

Outro elemento fundamental é o fato de que os mercados em que ele atuava essencialmente não existiam ou pelo menos foram transformados profundamente por suas mãos.

Jobs gostava de se considerar um artista, e acreditava que seus funcionários devessem pensar da mesma maneira em relação a si próprios.

Só artistas podem ser real­mente independentes, seja em relação à opinião dos outros, seja em relação ao valor comercial de suas criações. Como artista ou empresário, Jobs será lembrado por anos e anos.

Não há chance de que seu nome seja esquecido: a forma que moldou o gabinete plástico dos primeiros Macintosh continha a as­sinatura de todos os que participaram do projeto.

Os nomes estão gra­vados na parte interna dos computadores. Em le­tras minúsculas e no meio da lista, nu­ma rara demonstração de espírito de equipe, es­tá a assinatura: steven jobs.

Fonte:  IG.com

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mudança: ‘Efeito Google’ tem feito estudantes e internautas mudarem a forma de armazenar informação

Lavoisier dizia que "na natureza nada se perde, nada se cria; tudo se transforma", e Darwin sentenciou na Teoria da Evolução da Espécies que os seres vivos - e entre eles nós, humanos - se adaptam e evoluem de acordo com o ambiente em que vivem.

Incontáveis anos após a morte da dupla que ajudou a revolucionar a ciência como conhecemos, a "evolução" da humanidade ocorre em um meio que não é animal, vegetal ou mineral: o mundo virtual da internet. Segundo pesquisa publicada no mês passado pela revista norte-americana "Science", as pessoas estariam deixando de armazenar a informação para guardar onde ela seria encontrada. Com o título "Os efeitos do Google na memória: as consequências cognitivas de ter a informação na ponta dos dedos", o estudo foi realizado com 60 alunos da Universidade de Harvard e ficou conhecido por "Efeito Google". Basicamente, o estudo chegou à conclusão de que a capacidade de memorização havia diminuído. Para muitos, além de interferir na memória, a prática de pesquisa na internet vem substituindo o costume de se averiguar informações ou dúvidas entre amigos, parentes e especialistas.

E essa "adaptação" do ser humano a um novo "ambiente" teria chegado às salas de aula do Sul Fluminense? Segundo a professora e Mestra em Linguística e Língua Portuguesa pela PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica), Ana Malfacini - que trabalha com alunos do ensino médio, segundo grau e de ensino superior -, a resposta é "sim" - e isso não seria bom:

- Acho que os alunos banalizam a ferramenta, não a usam de maneira adequada. Um bom exemplo é a Wikipedia, nos últimos tempos, ele virou um oráculo; se você não acha algo lá, parece que o assunto tem menos importância. Parece então que o senso comum confia mais na internet do que nas pessoas - criticou.

Ela disse, ainda, que vem sentindo as mudanças constantemente, com alunos conectados à internet em sala de aula através de redes WiFi e que, ao invés de ajudar no ensino, isso acaba apenas resultando em menor atenção ao que é repassado - exatamente por confiar no que é encontrado na rede mundial de computadores.

- Os alunos baixam trabalhos inteiros através da Web e entregam como pesquisa, mas ainda tenho alunos que interagem comigo, dizendo que pesquisaram no Google o que eu ministro. Mas isso é muito raro; no fim, o povo gasta muito tempo nas redes sociais - salientou a professora.

Para Malfacini, o professor precisa saber usar ferramentas virtuais; ela destacou, inclusive, que algumas escolas já capacitam os profissionais de ensino nesse sentido e que cabe a eles o papel da mediação.

- Os professores têm novos desafios, mas continuam sendo profissionais igualmente importantes. Eles precisam mostrar para os alunos como se raciocina na Web e não deixar que eles saiam repetindo lugares-comuns, mas é difícil. A resistência é grande por parte de alunos viciados e professores pouco estimulados - lamentou.

A professora, entretanto, não vê apenas desvantagens nessa mudança de paradigma:

- Isso significa que estamos fazendo novas conexões e que a nossa memória está selecionando o que achamos mais produtivo. Só me preocupa o fato de as pessoas perderem o contato com o tradicional, deixar de ir a uma biblioteca e pesquisar tudo na rede. "Por que ir a um teatro se tenho o YouTube?" Mas aí o problema não é da internet ou do Google, mas das pessoas - acredita.
 
‘Ferramenta válida'
 
Existe, porém, quem veja de outra forma o fato dos alunos recorrerem ao Google para saber sobre informações pontuais. É o caso da também professora e Doutora em Comunicação Social Aline Pereira:

- É importante frisar que o Google é uma ferramenta de busca que conduz a fontes de pesquisa, assim como os livros, as revistas e as enciclopédias. Falar em termos gerais sobre "pesquisa no Google" é muito vago. É possível fazer diversos tipos de pesquisa no site. Uma coisa é a pesquisa para simples verificação de dados, datas ou acontecimentos. Outra coisa é a pesquisa em artigos acadêmicos ou livros disponíveis na internet, desde que citados. E uma terceira, bem diferente, é copiar material disponível na internet sem dar os créditos, como se o texto fosse seu. Acho que o problema está nesta última, mas isso não é novidade - afirmou.

Ela aproveita para salientar os benefícios e malefícios da ferramenta de pesquisa:

- Existe um recurso no próprio Google, inclusive, que é o "Google Acadêmico", que conduz direto a artigos científicos. O lado positivo é a rapidez e a facilidade com que solucionamos uma dúvida que nos tomaria tempo e também o contato com outras pesquisas sobre o seu tema. O lado ruim é que muita gente abusa e acaba se apropriando de informação de terceiros. A consulta não pode ser cópia integral, substituindo o que deveria ser fruto de um pensamento crítico e reflexivo do aluno. Hoje em dia, alguns alunos simplesmente utilizam o recurso de "copiar" e "colar" do computador sem se darem sequer ao trabalho de ler o resultado final. Já recebi trabalhos onde o aluno se esqueceu de tirar o endereço da internet do rodapé da página - contou.

A professora do UniFoa (Centro Universitário de Volta Redonda) acredita que a informação não deva ser retida (no sentido de decorada). Dessa forma, ela não se importa que os alunos usem o Google como consulta se isso lhes poupar tempo para o que realmente importaria, na sua opinião: a contribuição ao tema através de uma reflexão crítica.

- Não é o objetivo da escola ou da universidade fazer com que o aluno decore informações. É lógico que ele precisa ter uma noção temporal. Saber, por exemplo, que o Renascimento vem depois da Idade Média. Mas saber em que ano Leonardo Da Vinci pintou a Mona Lisa, isso ninguém precisa saber de cor - destacou Aline, que aponta para outro problema que, segundo ela, seria mais crítico:

- O que eu noto é que os alunos chegam, a cada semestre, mais despreparados, mas isso não tem nada a ver com a internet. A culpa é do nosso sistema educacional que não prepara os estudantes para o ensino superior. A leitura e o estudo são atividades desmerecidas atualmente. Não temos cultura literária - criticou a acadêmica.

Se essa nova forma de pesquisar tornou o plágio mais comum e aceito, Aline destaca que a internet também facilita o trabalho do professor para demonstrar que "o crime não compensa":

- Assim como os alunos têm mais rapidez para copiar, os professores também têm muito mais rapidez para detectar a cópia - disse a profissional da educação.

Rapidez
 
A estudante de Comunicação Social Carina de Almeida, de 22 anos, é uma que reconhece a influência do "Efeito Google" na sua vida acadêmica.

- Basta colocar fragmentos ou palavras mesmo sem as conjunções na área de busca e já temos uma pista ou o próprio assunto que queremos encontrar. A gente tenta guardar emails, sites, informação mesmo em cadernos ou agendas, mas é impossível manter esse controle se, com um clique, a gente encontra o que quer na internet. É muito mais prático do que folhear cadernos - afirmou.

Carina também acredita que a internet passou a ser a substituta de amigos e parentes na hora de se procurar uma informação:

- Ela (a internet) é mais rápida do que perguntar para alguém, sem contar que a pessoa pode errar. A Web também não é perfeita, mas nela sabemos como "caçar" a informação. Por mais que a net seja dispersa, variada, alguns sites já passam confiança - explicou.
 

Fonte: Diário do Vale / Júlio Black

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Fracassar é possível (embora não recomendável) !

“Perdi mais de nove mil cestas e quase 300 jogos. Em vários momentos da minha vida, falhei. E é isso que me torna um vencedor.” Esta célebre frase de Michael Jordan, um dos melhores jogadores de basquete dos últimos tempos, nos faz refletir sobre uma palavra muitas vezes temida: fracasso.

Eis algumas considerações importantes sobre ele:

•Falhar em determinado momento na vida é absolutamente normal, difícil é encontrar alguém que nunca tenha errado uma vez na vida;

•Somos fruto de nossas escolhas, portanto o fracasso e o sucesso são resultados que dependem única e exclusivamente de você;

•Fracasso não é, necessariamente, falta de capacidade.

Nem sempre a falta de êxito significa o fim, mas pode, na maioria das vezes, representar um recomeço. O importante no fracasso é o aprendizado que dele se tira. Eike Batista, por exemplo, já teve uma empresa de jipes que não deu certo e outro negócio no ramo da tecnologia que também não foi adiante. Mas, atualmente um dos empresários mais ricos dos Brasil, Eike relatou que essas experiências serviram como aprendizado e como uma tremenda injeção de ânimo.

O fracasso não é definitivo, apenas para quem desisti de tentar. A vitória é uma tentativa que deu certo, portanto continue tentando até acertar. Não deixe que o medo de fracassar o impeça de tentar e lembre-se do que Henry Ford disse certa vez: “O fracasso é a oportunidade de começar de novo com mais inteligência e redobrada vontade”.

 
Fonte:  Administradores.com